A sensação de que o som muda em dias quentes não é apenas impressão — é um fenômeno físico diretamente ligado à temperatura do ar. Como o som é uma onda mecânica que depende da vibração das moléculas do meio, qualquer alteração na agitação dessas moléculas interfere na forma como ele se propaga.
A velocidade do som e a temperatura
A regra básica da acústica é simples: quanto maior a temperatura, maior a velocidade do som. Isso acontece porque, no calor, as moléculas de ar estão mais agitadas e se movimentam com mais rapidez. Essa agitação facilita a transferência da vibração sonora de uma molécula para outra, acelerando a propagação.
- A 0°C, a velocidade do som é cerca de 331 m/s.
- Para cada grau Celsius de aumento, ela cresce aproximadamente 0,6 m/s.
- Em um dia quente de 30°C, o som pode alcançar 349 m/s.
A refração sonora: o segredo da mudança na percepção
Além de influenciar a velocidade, o calor também provoca um fenômeno chamado refração sonora, que altera a trajetória da onda e, consequentemente, a forma como a percebemos.
Em dias muito quentes, o ar próximo ao solo fica mais quente do que as camadas superiores. Essa diferença de temperatura cria um gradiente que faz o som se curvar em direção ao ar mais frio.
No calor:
O som se curva para cima, “passando” por cima do ouvinte.
🔸 Sons distantes parecem mais fracos ou até desaparecem.
No frio ou à noite:
O ar perto do solo é mais frio que o ar acima.
O som se curva para baixo, em direção ao chão.
🔸 Isso faz com que ele viaje por distâncias maiores e pareça mais claro e intenso.
Por que sentimos diferença?
Nos dias quentes, a combinação de maior velocidade e refração ascendente altera a forma como o som nos alcança, mudando sua intensidade e clareza. Já no frio, as condições favorecem a propagação próxima ao solo, fazendo com que percebamos sons distantes com mais nitidez.

