O Réveillon no Brasil é marcado por uma grande variedade de superstições e rituais que refletem a diversidade cultural, histórica e religiosa do país. Muitos desses costumes, desde a cor da roupa até o que se come e se faz à beira-mar, surgem da fusão entre tradições africanas, católicas e europeias, criando um conjunto de práticas únicas e simbólicas.
Vestir Branco: A Cor da Paz e de Iemanjá
Entre as tradições mais conhecidas está o hábito de vestir branco na virada do ano. Essa prática ganhou força no Brasil por influência das religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé. O branco é a cor associada a Iemanjá, a Rainha do Mar, e simboliza paz, purificação e renovação espiritual.
Ao vestir branco, as pessoas buscam proteção e boas energias para o novo ciclo. Com o passar do tempo, esse costume ultrapassou seu contexto religioso e se tornou um símbolo nacional de esperança por um ano novo tranquilo e harmonioso.
Pular Sete Ondas: Abrindo Caminhos no Mar
Outro ritual muito praticado é o de pular sete ondas à meia-noite. A tradição também tem raízes afro-brasileiras e está relacionada à devoção a Iemanjá. O número sete é considerado sagrado e cheio de significados espirituais. Cada onda pulada representa um pedido, um agradecimento ou um desejo de superação.
A força do mar é vista como purificadora, e o ato de enfrentar as ondas simboliza o início de um ciclo repleto de coragem, proteção e novas oportunidades.
A Lentilha e a Prosperidade
O costume de comer lentilha na ceia de Ano Novo veio da cultura europeia, especialmente italiana. Por ser um alimento que lembra pequenas moedas e aumentar de volume ao cozinhar, a lentilha é associada à prosperidade e ao crescimento financeiro.
A crença popular afirma que comer lentilha logo na virada atrai fartura e estabilidade econômica para o ano que está começando.
Essas tradições, vindas de diferentes origens e significados, formam o mosaico cultural que torna o Réveillon brasileiro tão especial. São gestos simbólicos que expressam a esperança coletiva de um futuro melhor, onde cada pequeno ritual carrega a força do desejo por renovação, proteção e prosperidade.

